Há territórios que a cidade encontra. E há territórios que esperam a cidade chegar.
Gramame é o segundo. Antes de ser o maior bairro de João Pessoa, foi terra, engenho, comunidade e visão. Uma história que atravessa quase um século e três gerações — e que hoje se posiciona exatamente onde o futuro da capital acontece.
A terra antes do nome
O Vale do Gramame se estende às margens do rio que lhe dá nome — o mesmo que marca a divisa entre João Pessoa e o município de Conde, no litoral sul da Paraíba.
Muito antes da urbanização, a região já era ocupada. Nos primeiros séculos da colonização, abrigou aldeamentos indígenas como Jacoca e Pindaúna. Ao longo do tempo, formou-se ali uma base social profundamente ligada à terra: agricultores, posseiros e comunidades remanescentes que construíram, geração após geração, uma identidade territorial forte.
Essa ocupação lenta e espontânea deu a Gramame algo que poucas áreas urbanas têm: raiz. Um sentido de lugar que antecede qualquer projeto.
1931 — A chegada de Roque Falcone
Em 1931, o Sr. Roque Falcone adquiriu o Engenho Ponte de Gramame — hoje na área que integra a Granja da família — e deu início a um novo capítulo na história da região.
À época, a propriedade abrangia uma vasta extensão de terras, das imediações da Lagoinha até a antiga ponte do Gramame, conhecida como Ponte dos Arcos, um dos marcos físicos mais reconhecíveis do território até hoje.
O engenho tornou-se o centro econômico e social de Gramame. Produzia rapadura e aguardente de cana em duas marcas que ficaram na memória da região:
- Ressaca — reconhecida pela alta qualidade.
- Alegria — voltada ao consumo popular.
A produção começou com métodos rudimentares, movida por força animal em trapiches, e foi modernizada com o tempo, com a chegada de motores a diesel e a ampliação da capacidade produtiva. Ao redor do engenho, a comunidade cresceu. Era ali que se gerava renda e que a região encontrava seu eixo.
Do engenho ao legado
O Engenho Ponte de Gramame encerrou suas atividades produtivas em meados do século XX. Mas o fim da produção não foi o fim da presença.
As estruturas, as ruínas e os vestígios permaneceram como marcos históricos e culturais — referências de origem para a comunidade e testemunhos de um período fundador. O nome Falcone seguiu ligado à terra: não como memória distante, mas como base para o que viria depois.
Uma visão de longo prazo
A partir dos anos 1980, os descendentes de Roque Falcone assumiram um novo papel: deixaram de ser apenas guardiões de uma memória para se tornarem agentes ativos da transformação do território.
Com uma leitura antecipada do potencial de Gramame, a família passou a planejar e estruturar o crescimento do bairro de forma técnica e integrada ao poder público — sempre dentro dos marcos legais do planejamento urbano:
- Planejamento da ocupação urbana.
- Articulação e apoio institucional junto à prefeitura e aos órgãos competentes.
- Mapeamento e organização do território.
- Cessão de áreas para o desenvolvimento e para o interesse público.
- Participação ativa na estruturação do bairro.
Ao longo de mais de duas décadas, esse trabalho consolidou a marca de atuação do Grupo Falcone: antecipar o crescimento, estruturar o território e construir valor de forma organizada e duradoura.
Um dos maiores símbolos desse movimento foi a viabilização do eixo que hoje conhecemos como Avenida Perimetral Sul — projetada e implantada pelo poder público como uma nova via de contorno da Zona Sul e reconhecida como uma das fronteiras de desenvolvimento da capital. A articulação de áreas e o planejamento de ocupação conduzidos ao longo dos anos ajudaram a preparar o terreno, no sentido literal e estratégico, para que esse eixo se tornasse realidade.
O maior bairro de João Pessoa
Hoje, os números confirmam o que a visão anteviu.
Em extensão territorial, Gramame é o maior bairro de João Pessoa. Segundo o Atlas Municipal da Prefeitura, o bairro possui 1.952,11 hectares — cerca de 19,5 km², à frente de todos os demais bairros da capital.
Um bairro que praticamente triplicou de população a cada década. No Censo 2022, Gramame saltou da 7ª para a 2ª posição entre os bairros mais populosos, atrás apenas de Mangabeira — que, no mesmo período, teve população estável e em leve queda.
Mantida a trajetória de crescimento observada pelo IBGE entre 2010 e 2022, as projeções indicam que Gramame deve assumir a liderança e se tornar o bairro mais populoso de João Pessoa — consolidando, também em número de habitantes, a posição que já ocupa em território.
O epicentro do crescimento
Para entender por que Gramame está no centro do futuro de João Pessoa, basta olhar o mapa. A capital é geograficamente limitada: tem o oceano a leste e os municípios da Região Metropolitana a oeste. Restam, portanto, dois grandes vetores naturais de expansão — o norte e o sul.
Ao norte, o crescimento se organiza em torno do novo complexo rodoviário que interliga Cabedelo, Santa Rita e Lucena — a maior obra de mobilidade da história recente do estado, que redefine a logística e o desenvolvimento do Litoral Norte.
Ao sul, o vetor é o Polo Turístico e a rota das praias do Litoral Sul — e é exatamente ali que está Gramame. Servido pela Perimetral Sul e conectado à BR-101 e à PB-008, o bairro é o ponto de articulação entre a cidade consolidada e a nova fronteira de expansão.
- Espaço — a maior reserva de áreas disponíveis da cidade está na Zona Sul, com Gramame no centro dela.
- Fluxo — os principais eixos viários de expansão passam por aqui.
- Demanda — crescimento populacional acelerado, com forte procura por comércio, serviços e moradia estruturada.
O papel do Grupo Falcone hoje
A história que começou com um engenho, em 1931, é a mesma que hoje estrutura um novo polo urbano.
O Grupo Falcone atua na região com a lógica de longo prazo de quem conhece esse território há quase um século — não apenas desenvolvendo ativos imobiliários, mas planejando a ocupação, articulando infraestrutura e construindo, de forma organizada, um novo capítulo para Gramame e para João Pessoa.
Fontes dos dados factuais
Área do bairro (1.952,11 ha): Atlas Municipal de João Pessoa — Perfil de Bairro (Prefeitura Municipal de João Pessoa / portal Filipeia).
Origem do engenho e da família Falcone: memória histórica da família Falcone; registro no Atlas Municipal, que cita a aquisição das terras da antiga fazenda Ponta de Gramame por Roque Falcone.
População (2000, 2010, 2022) e ranking de bairros: IBGE — Censo Demográfico 2022 (Malha de Setores Censitários Definitivos) e Censo 2010.
Avenida Perimetral Sul (via de contorno da Zona Sul, ~9 km, conexão BR-101 / PB-008): DER-PB / Governo do Estado da Paraíba.
Complexo rodoviário do vetor norte (Cabedelo, Santa Rita, Lucena): DER-PB / Governo do Estado da Paraíba.
Disponibilidade de áreas na Zona Sul: revisão do Plano Diretor de João Pessoa (mapeamento de lotes desocupados).
Documento institucional de comunicação do Grupo Falcone.